Alvo de investigações da Polícia Federal há quase um ano, por suspeita de envolvimento em operações fraudulentas de venda de títulos financeiros a institutos de previdências municipais, a corretora Gradual Investimentos anunciou nesta terça-feira (15/05) que vai encerrar as operações em Bolsa. Fundada em 1991, a empresa já figurou entre as principais corretoras independentes do país, tendo atualmente cerca de 60 mil clientes e R$ 7 bilhões em recursos sob custódia, de acordo com informações de sua página na internet.

 

Com a decisão de sair do mercado acionário, a Gradual disse que agora passará a realizar operações na Bolsa apenas para “zeragem” e transferência de posições de clientes a outros agentes do mercado. Para isso, a corretora já disponibiliza um formulário para ser preenchido para que façam a transferência dos investimentos ainda sob sua responsabilidade para outra corretora.

Clientes se queixam nas redes

Questionada sobre a decisão da Gradual, a B3 recomendou ontem que os investidores com posições sob sua custódia “devem seguir as orientações que constam no site da própria corretora”. A B3 informou ainda que recebeu um pedido “formal de desligamento da Gradual” dos quadros de corretoras credenciadas a operar em seus pregões.

Por trás da decisão da Gradual de deixar a Bolsa, estão investigações da Polícia Federal que apuram a atuação da corretora em um esquema de venda de títulos financeiros sem lastro a fundos de previdência de servidores municipais de diversas cidades do país. A PF teria descoberto que a Gradual, que administrava recursos de previdências municipais, aplicava o dinheiro em fundos de investimentos que, por sua vez, investiam em debêntures (títulos de dívida) emitidas por empresas de fachada.

Além de operações de câmbio e corretagem, a Gradual oferece serviços de aconselhamento de investimentos, gestão de fortunas, administração e custódia de fundos de investimento e emissão e escrituração de ativos financeiros.

Na página da corretora no Facebook, clientes reclamavam que não conseguiam contato por telefone ou e-mail.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que “acompanha e analisa as informações e movimentações envolvendo o mercado de valores mobiliários, tomando as medidas cabíveis, quando necessário”. E disse que consultas ou reclamações sobre “eventuais dificuldades em pedidos de transferências de valores mobiliários para outras corretoras e custodiantes” devem ser encaminhadas aos seus serviços de atendimento a investidores. Procurada, a Gradual não comentou o assunto.



Crédito da notícia

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here