Tão desonesto quanto culpar a saia curta da vítima pelo seu estupro, é desviar a responsabilidade do racismo, dos racistas para os próprios negros. Assim como a novela da filha do Silvia Santos, Iris Abravanel. “As aventuras de Poliana” mostrou em uma cena que gerou um bafafá nas redes sociais, muitas pessoas negras reproduzem esse discurso (criado por brancos), jogando a batata quente de um negro para outro e isentando pessoas brancas racistas, dos seus erros.

Na cena, a aluna negra Kessya ( a talentosa Duda Pimenta) é chamada pela coordenadora da escola Helô (Eliana de Souza) após encontrarem o nariz de uma escultura vandalizada por outros alunos em sua mochila. A acusação era de que Kessya teria quebrado a escultura  e guardado parte da peça com ela mesma. A aluna negra acha que a falsa acusação foi racismo, mas a coordenadora diz, docemente, que é coisa da cabeça dela.

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As aventuras de Poliana – racismo

Vídeo da cena em que a coordenadora negra ensina a menina que o racismo é culpa dos negros. A branquitude de se aproveitando da nossa imagem para reproduzir e propagar o seu discurso racista, fugindo da responsabilidade pelos seus atos.Com todo respeito ao trabalho das atrizes Duda Pimenta, que interpreta da menina Késsya, e Eliana de Souza, que interpreta a coordenadora Helô, essa cena é apropriação da nossa imagem negra para reprodução de um discurso racista branco, que vem da escritora da novela Iris Abravanel, da sua equipe de roteiristas, da direção e produção desta novela que não questionaram a violência sombólica e psicologica desse tipo de cena. Deslegitimar a percepção de uma menina negra da situação de racismo que ela viveu e ainda, "ensinar" a essa criança que o racismo é culpa dos negros que se enxergam diferente dos outros e que não se valorizam a partir da voz de uma mulher negra é mais uma vez violentar a nossa subjetividade e nos colocar como responsáveis por um sistema de exclusão criado e mantido para garantir o provilégio branco. Por ser uma novela voltada para o público infantil, essa cena se torna ainda mais problemática, porque ofende as crianças negras que assistem e as induz a adotar uma postura passiva diante do racismo na escola. Quem propaga o racismo, diferente do que foi falado na cena, são próprios racistas, que ocupam os espaços de poder, escrevem novelas e utilizam nossa imagem negra para legitimar seus discursos de ódio.

Posted by A mãe preta on Thursday, August 9, 2018

A filosofia do pior racista é o próprio negro tem algumas vertentes a serem analisadas. A primeira é de que negros veem racismo em tudo, como se os índices sociais que mostram que a  comunidade negra é a base da pirâmide social, a maioria dos desempregados, analfabetos, e as maiores vítimas de violência (homicídio e feminicídio) fossem frutos da nossa imaginação.

Avançamos sim, mas se na pirâmide social, um homem branco ganha mais que o dobro  que a mulher negra que está na base, convenhamos que a igualdade é distante. Para ser exato, de acordo com o Instituto Ethos, ela não chega em menos de 150 anos.

A segunda vertente é de que negros brigam entre si, se prejudicam entre si, são racistas entre eles.  Uma teoria que parece muito com as premissas da Carta de Lynch, que era basicamente um plano maldito para que negros escravizados não se entendessem. Acontece que nem todos os brancos se entendem, nem todas as mulheres, nem todos os Corintianos e obviamente, nem todas as pessoas negras. Porém na tentativa de desmoralizar o nosso direito à um debate intrarracial, há quem diga que brigamos por sermos racistas com nós mesmos. Isso é uma técnica que a branquitude usa para silenciar nossos debates.

A terceira vertente, usada pela coordenadora da escola da novela é que para nos vermos como iguais aos outros, precisamos fechar os olhos para o racismo. Se não falamos sobre ele, ele não existe, certo? Errado. Pessoas brancas racistas precisam ser confrontadas e punidas pelos seus atos, porque é assim que o mundo melhora.

Na cena da novela infantil do SBT, que chega ser horripilante,  Kessya, tem uma visão muito lúcida, que sua cor gera suspeitas, mas seus protesto foi silenciado, se tornou paranoia,  coisa da cabeça da criança. Isso é um perigo.

Mais uma vez a falta de um toque negro no roteiro, resultou em uma cena que pode ter gerado um estrago na cabeça de crianças negras e brancas, e até mesmo nos adultos desinformados.

Racismo não é ficção, nem paranoia. Quisera estivesse somente em nossa mente, como um pesadelo que cessa assim que abrimos os olhos. Não funciona assim e a Kessia está correta, a culpa é sempre dos racistas.

 

O post Novelinha do SBT: Racismo não é paranoia de negros apareceu primeiro em Mundo Negro.





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