Por: AYO Barretos

Um estudante do 4º ano de Medicina da USP relatou ter sido vítima de racismo durante a competição esportiva Intermed, realizada na última semana em Barretos. Segundo reportagem divulgada no portal do jornal O Estado de S. Paulo, o aluno afirmou que, durante partidas de vôlei contra os cursos da PUC Sorocaba e PUC Campinas na segunda-feira (4), recebeu ofensas sobre sua cor. Depois do episódio, o estudante publicou um texto em seu perfil no Facebook narrando o episódio.

Na quarta-feira (6), em outro jogo, o aluno relatou novo ataque. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma menina na torcida com um cacho de banana nas mãos, que de acordo com a vítima, seria uma referência racista. “Começaram a imitar sons de macaco”, relatou. Em seguida, gritaram “textão de Facebook”, em referência ao fato de o estudante ter denunciado o episódio de racismo. Ainda segundo a reportagem, alunos de ambas as universidades repudiaram o ato e o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, José Otávio Costa Auler Júnior, informou que pediu uma investigação sobre o caso. A PUC-Campinas também informou que “irá apurar os fatos e tomar as providências cabíveis”, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. (Jornal “O Diário)
Os fatos narrados pelos jornais me levaram a refletir sobre a série “Cara Gente Branca”, disponível na Netflix desde o primeiro semestre de 2017, que nos fez refletir bastante sobre qual seria sua repercussão dentro da mídia brasileira e mundial, a série antes de ter sua estreia marcou uma grande discussão em torno da perda de assinantes que a Netflix teve e o quanto é complicado se pensar e discutir sobre o racismo estruturado em nossa sociedade. (Cara Gente Branca: https://www.youtube.com/watch?v=ac6X4EYIH9Y)
O racismo não está somente em insultos, xingamentos e violações de direitos claros. O racismo estrutural está em tudo o que nos constitui enquanto sociedade, está na nossa linguagem, nos nossos costumes e crenças. E isso é um tema amplamente abordado pela série durante todos os episódios. Não acho que foi por acaso, inclusive, que alguns dos personagens de mais poder e respeito da série, o reitor da universidade e seu filho, sejam homens negros. Para mostrar que a existência dessas pessoas não comprova a suposta ausência de racismo em que muitos querem acreditar. Todos os personagens negros da série fazem parte de uma universidade que é a elite intelectual americana. Todos altamente educados e aculturados, mas nem por isso imunes à violência policial, ao descaso da administração e até mesmo ao preterimento amoroso. Além disso, a escolha de não mostrar apenas situações em que o racismo se expõe em sua faceta mais explícita, mas também mostrá-lo em microagressões, foi fantástica. Um olhar torto, uma insinuação, um cerceamento brando… Tudo isso está arraigado em nossa cultura e deve ser combatido cotidianamente.
Há algum tempo precisamos refletir também o que além da política de cotas é preciso discutir e se colocar em prática para que fato as universidades e todas as instituições brasileiras estejam preparadas para receber corpos negros. E está é uma discussão de planos de ação que não deve apenas ficar responsabilizada a militância do movimento negro, é uma problemática que deve ser refletida principalmente dentro da perspectiva do privilégio branco, de cada pessoa reconhecer o seu lugar de privilégio.

As universidades deixo-lhes a reflexão de qual universidade nos estamos oferecendo a estes jovens? De qual forma a universidade irá tratar sobre casos como este?

 

O rico fala em meritocracia
Se você não conseguiu e por que não batalhou um dia
Não consegue enxergar os seus próprios privilégios
Os pretos, os pobres querem ver no sono eterno

E racismo inverso, só se eu te virar do avesso racista

( Verso: Preta Rara)

Conheça mais de Preta Rara:

http://midianinja.org/author/pretarara/

https://www.facebook.com/pretararaoficial/

Entrevista: Negra, rapper e professora, eis a garra de preta rara

 

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